Alegria!!

Hoje é o aniversário da Turucutá! O nosso coletivo completa 7 anos de existência, vividos com muita garra, união, paciência, muitas gargalhadas, euforia e música. Ensaiamos, lutamos e agradecemos.

A gente comemorou essa data tão especial no 7° Arrastão da Turucutá, que aconteceu no dia 08 de março na Rua João Alfredo, Cidade Baixa. Ficamos emocionados com cada sorriso que recebemos, cada olhar de alegria e cada presença naquele dia. Foi suado, foi intenso. Dissemos que o povo ia chegar e dançar com a Turucutá. E isso aconteceu da forma mais bonita que poderia!

Esse coletivo nasceu de amizades e encontros em pontos quilombolas da cidade. A ideia foi tomando forma, veio o surdo, o tamborim, o agogô e o repi. Aos poucos, a Turucutá tornou-se conhecida. Veio tanta gente sambando ao som do toque do tarol, do chocalho, das cordas e sopros... Gostar da Turu e acompanhar seus passos significava ser turucuteiro.

Todos percebiam que era só a Turucutá aparecer pra que a alegria chegasse. Os turucuteiros estavam sempre vibrando por mais um lindo dia de sol, pra ocupar a cidade e dar voz aos tambores, arranjar melodias, cantarolar músicas e pôr o corpo pra dançar. Mas se a chuva insistisse em aparecer, dizíamos:

“Turucuteiro que se preza não deixa a alegria morrer e pede abrigo ao Afro Sul Odomodê!
Turucuteiro que se preza não deixa a alegria morrer e à Bará vai agradecer”.

A gente dava um jeito de continuar se divertindo juntos.
A família cresceu e fomos percebendo que a diversidade de gente é a nossa marca evidente. Tem evangélico, batuqueiro, sambista, roqueiro e quem mais quiser estar junto, com respeito e muito amor.
Fomos sentindo que estar na Turucutá era algo tão intenso que parecia remeter à nossa ancestralidade. Fomos nos identificando com as lutas de outros coletivos que buscavam formas de permanecer em seus territórios, de potencializar a convivência na rua, de valorizar a festa popular.

Lembramos da histórica repressão ao toque dos tambores e acreditem: perceber que esses movimentos de repressão ainda existem só nos fortalece.

Hoje chamamos pra que o povo venha na palma da mão ou bata no couro do tambor, pra somar forças. Temos ânsia de liberdade pra essa gente se alegrar porque essa cidade também é o nosso lugar!

Pedimos à Odoyá a sua bênção para fortalecer a nossa união, nos proteger do mal e iluminar os nossos caminhos pro nosso bloco poder passar.

Hoje completamos mais uma volta ao sol e compreendemos que todas essas vivências nos ajudaram a entender melhor o que é ser humano. O que é fazer parte de um grupo que parece uma família! Que se abraça, que festeja junto, que briga e se desentende, que busca melhorar, que permanece unido quando as coisas apertam.

Aprendemos a cantar “independente das dificuldades, estarei contigo: Turucutá, teu barracão, meu ombro amigo”. Ganhamos resistência pra poder dizer pro público: “enquanto você não parar de pular a gente não cansa!”. Nos emocionamos com cada apresentação, com cada abraço que recebemos, com cada sorriso que encontramos... e nos transformamos.

Tivemos perdas e muitos ganhos. Plantamos sementes de amor e colhemos batucada coletiva e alguns turucuteiros mirins que fizeram renascer a nossa alegria e entusiasmo.

Estamos juntos. E depois de 7 anos, queremos agradecer à vocês que estão lendo isso agora. A vocês, nossos queridos turucuteiros, fiéis companheiros, brindamos esse dia com a nossa terna gratidão. O nosso melhor e maior presente são vocês. Queremos vocês juntos com a gente nos próximos anos, pra cantarmos juntos:

“Sob o manto do guerreiro
No pescoço meu patuá
Soul da rua, sou batuqueiro
Você tem que respeitar
Sob o manto do guerreiro
No pescoço meu patuá
Soul da rua, sou batuqueiro

Eu sou da Turucutá!”