O Carnaval de Porto Alegre tem crescido exponencialmente. No entendimento dos blocos, esse crescimento é fruto da vontade inequívoca em ocupar as ruas da cidade trazendo novamente à nossa capital uma alegria de outrora.

Embora seja um importante componente da história da nossa cidade, o carnaval estava abandonado e jogado para as zonas periféricas da cidade.

Ainda que apenas neste ano a Prefeitura tenha participado da organização do carnaval, esse é parte de um processo maior, conduzido autonomamente pelos blocos que muito lutaram, e ainda lutam, para colocar seu estandarte na rua.

Desta forma, entendemos que existem três eixos essenciais para o crescimento do carnaval de rua de Porto Alegre e que unificam os blocos que subscrevem esta carta:

• Autonomia: Entendemos que os blocos surgem da espontaneidade dos grupos de moradores. Eles têm locais de origem, história e reconhecida inserção na comunidade. Assim, devem ter autonomia para decidir o melhor local de concentração, trajetos, dias e locais de saída. Cabe ao poder público ponderar interesses da comunidade para, junto aos blocos e seus representantes, acertar o calendário. Ressalta-se que, sem os blocos, não existe o carnaval de rua e eles devem ter a primazia para a organização dos festejos, com a captação dos patrocínios, individuais ou coletivos.

• Estrutura: Acreditamos que o poder público deve propiciar uma infra-estrutura de limpeza, segurança, controle de trânsito e, ainda, condições estruturais de sonorização que sejam compatíveis com a previsão de público. O fechamento das ruas e proibição de estacionamento em dias de blocos, a lavagem do trajeto após o término dos desfiles/apresentações, e a instalação de lixeiras, banheiros e pontos de observações de segurança que devem atender todo o percusso, não se concentrando em apenas uma parte.

• Transparência: Entendemos que toda a relação feita com os blocos e com a sociedade em geral deve ser feita de modo transparente, diferente do que foi feito neste ano. É necessário que a divisão dos cachês e a relação com patrocinadores sejam feitas por critérios públicos e embasados, que se tornem transparentes e justificadas as formas de contratação da produtora Austral, dos patrocinadores e fornecedores de modo a termos a certeza do bom bom uso das verbas públicas.

Esses eixos se apresentam como pontos de partida para o processo de organização do Carnaval de Rua 2016, e os blocos abaixo assinados se comprometem a iniciar um processo de debate com os entes governamentais e sociedade, para a construção de um carnaval ainda maior, mais alegre e bonito.

Areal da Baronesa do Futuro
Associação Carnavalesca Galo do Porto
Bloco da Diversidade
Bloco da Laje
Bloco da Trinca
Bloco do Isopor
Bloco Do Jeito Que Tá Vai
Bloco do Queridão
Bloco Maria do Bairro
Olha o Passarinho do Seu Mário
Turucutá – Batucada Coletiva Independente
Ziriguidum – Batucada Social Clube