Está chegando a hora! Turucuteiros contando os dias para desfilar pelas ruas da Cidade Baixa!

Nosso coletivo nasceu nesse bairro, no Largo Zumbi dos Palmares, e há seis anos realiza em março, próximo ao nosso aniversário no dia 17, uma grande festa, convidando todo mundo a dançar e pular conosco. O Arrastão, como chamamos carinhosamente esse movimento, é um evento independente e sempre foi organizado, produzido e realizado pela Turucutá.  Só em 2014, entramos no circuito de Carnaval de Rua de Porto Alegre, apoiado pela Prefeitura.

Buscamos, através do trabalho que desenvolvemos durante o ano inteiro, resgatar o significado do carnaval de rua da nossa cidade, valorizando os espaços públicos e os territórios de resistência e cultura negra em Porto Alegre, como o bairro Cidade Baixa.

Enquanto o tão esperado Dia Internacional da Mulher não chega, data de luta e resistência, da batalha diária que também somos engajados, estamos trabalhando em ensaios, reuniões e planejamentos para que a festa aconteça e seja muito boa para todos.

Diante do sucesso que foi o Carnaval de Rua da Cidade Baixa em 2014, a Prefeitura de Porto Alegre resolveu assumir a organização do evento. Nosso coletivo tem participado de reuniões com a Prefeitura, Brigada Militar, Ministério Publico e Associação de Moradores do Bairro Cidade Baixa. Nesses encontros, os representantes dos Blocos de Carnaval de Rua expõem suas necessidades e tentam buscar formas de se adaptar às regras trazidas pela Prefeitura e demais órgãos. Nós marcamos presença em todas as reuniões a que fomos convocados, lutando por um processo mais transparente na organização da festa popular mais tradicional do nosso país.

A primeira reunião com os representantes dos Blocos de Carnaval convocada pela prefeitura, tardiamente, aconteceu no dia 13/01/2015, a fim de demonstrar seu interesse em assumir o papel de organizadora do evento. Estiveram presentes o prefeito em exercício, Sr. Sebastião Melo, representantes da Brigada Militar, EPTC, Ministério Publico e Associação de Moradores da Cidade Baixa, bem como a massiva presença dos representantes dos Blocos (grandes realizadores do evento junto às milhares de pessoas sedentas por eventos populares na rua).

Itinerário, horário de término dos desfiles, infraestrutura e outras decisões importantes têm sido tomadas, enquanto os blocos tentam se adaptar às regras sem perderem sua identidade cultural. Ainda estamos em negociação para definir nosso deslocamento, pois o trajeto que solicitamos inicialmente partiria da João Alfredo, encerrando no Largo Zumbi dos Palmares, local que, segundo a BM e a EPTC, é o mais seguro para os foliões se dispersarem.

Entretanto, existe um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) do Ministério Público do Meio Ambiente que limita o número de eventos com som alto no Largo Zumbi dos Palmares. Isso é justificado pelo grande número de reclamações dos moradores do entorno.

O impedimento para finalizarmos nosso carnaval no Largo Zumbi dos Palmares contraria nossa identidade cultural e relação topofílica com esse espaço, bem como contraria a justificativa da segurança pública e da mobilidade urbana dadas pela Brigada Militar e EPTC. Segue a lógica e a política de reassentamento das comunidades e periferização da cultura popular que acontece no Brasil há décadas. Somos cada vez mais parte do movimento que resiste à desterritorialização, junto de outros movimentos sociais, Blocos de Carnaval e Escolas de Samba, que tentam permanecer nos locais onde nasceram e construíram relações afetivas com o espaço.

Esperamos que as negociações ocorram da forma mais democrática e transparente possível, garantindo uma festa segura, alegre e popular, preservando o patrimônio público e privado e a identidade cultural que carregam os Blocos de Carnaval em Porto Alegre.

GT de Comunicação da Turucutá